Mulheres da Fiocruz se manifestam em defesa da democracia

mulheres no IRR

Em outubro, a Constituição e o Sistema Único de Saúde completam 30 anos. Para marcar esse momento, mulheres da Fiocruz estiveram reunidas em diversas partes do país para se manifestar em defesa da equidade, da justiça social, da democracia, do SUS e da Constituição brasileira. Ao lado direito, uma galeria de fotos de mulheres de diversas unidades da Fiocruz.

Manifesto das mulheres da Fiocruz pela democracia

Nós, mulheres da Fiocruz, correspondemos a 52% da força de trabalho dessa instituição. Somos muitas e todas. Somos estudantes, pesquisadoras, técnicas, jovens, adultas, brancas, negras, pardas, hétero, lésbicas, trans. Pela primeira vez nessa instituição centenária, temos uma mulher na Presidência. Ocupamos um lugar de resistência na ciência e na sociedade, e gostaríamos de nos manifestar publicamente sobre a importância do tempo histórico que temos vivido na luta pelos direitos humanos, pelo Sistema Único de Saúde e pela democracia.

Em outubro, a Constituição brasileira completa 30 anos. Com ela nasceu também o Sistema Único de Saúde (SUS) e a saúde passou a ser assegurada como um direito de todos e dever do Estado. Há 30 anos o país escolheu a vida, as liberdades individuais, a recusa ao racismo e o reconhecimento da humanidade de todas as pessoas, o fortalecimento dos direitos sociais como fundamento do bem-viver, o direito à dignidade daqueles que trabalham protegidos por direitos trabalhistas.

O momento, no entanto, é de defesa dos princípios democráticos regidos pela Constituição e pelo SUS. Desejamos contribuir para um país mais justo e equânime e, para isso, precisamos não apenas de uma ciência mais feminista, mas de uma sociedade mais feminista. Trata-se de uma mudança de perspectiva, que somente será possível pelo fortalecimento e pela defesa do Estado Democrático de Direito. Os enfrentamentos vividos diariamente pelas mulheres brasileiras, estejam eles marcados pelo preconceito, pela violência doméstica, pelas diferenças salariais ou pelas vulnerabilidades sociais, devem ser combatidos de forma ampla pela sociedade e por seus governantes.

O movimento de mulheres da Fiocruz entende que é necessário contribuir para um diálogo mais amplo com a sociedade sobre a necessidade de uma luta pela equidade de gênero e pelos direitos humanos, com estímulo às novas gerações e à formação de redes.

Entendemos ainda que é necessária a formulação de um novo padrão de desenvolvimento no país que incorpore o bem-estar, a ciência, tecnologia e inovação, o acesso universal e equânime à saúde, à educação e à informação, contemplando o fortalecimento da democracia e a capacidade do Estado de conceber e implementar políticas públicas destinadas a promover o interesse nacional.

Defendemos o fortalecimento do SUS a partir de um conceito amplo de saúde: a saúde como direito que deve orientar tanto as atividades assistenciais, a promoção da saúde e a atuação sobre os determinantes sociais em saúde, quanto à formulação de políticas para a pesquisa e desenvolvimento tecnológico do nosso país.

Marielle Franco, vereadora no Rio de Janeiro assassinada brutalmente este ano, segue como exemplo e inspiração para todas nós. Somos, assim como ela, “feministas históricas que agradecem às vozes que ocupam o lugar da resistência, desse lugar onde as mulheres são vítimas de estupro, da violência e precisam sim pensar numa nova sociedade” (Marielle Franco em aula inaugural na Fiocruz, janeiro de 2018). Somos vozes da resistência.

Veja todas as fotos na Agência Fiocruz de Notícias.

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias