Observatório Covid-19 e Editora Fiocruz lançam e-book sobre impactos sociais da pandemia

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Marcella Vieira (Editora Fiocruz)

Refletir e agir sobre os efeitos de uma pandemia vai muito além do processo saúde e doença. No Brasil e em outros países, são várias as iniciativas encabeçadas por organizações, movimentos, instituições, acadêmicos, pesquisadores e especialistas das áreas de ciências sociais e humanidades que vêm analisando os fenômenos causados pela Covid-19 a partir de marcadores sociais diversos, como raça, gênero, classe social, sexualidade, territórios e dinâmicas social e econômica. É com esse intuito que o Observatório Covid-19 Fiocruz e a Editora Fiocruz lançam, na próxima quarta-feira (28/4), o livro Os Impactos Sociais da Covid-19 no Brasil: populações vulnerabilizadas e respostas à pandemiae-book que estará disponível para download gratuito na plataforma SciELO Livros.

Organizado pelos pesquisadores Gustavo Corrêa Matta, Sergio Rego, Ester Paiva Souto e Jean Segata, o volume é o segundo da série Informação para Ação na Covid-19, uma parceria entre o Observatório e a Editora Fiocruz. Para marcar o lançamento, os organizadores participam, no dia 29 de abril, às 9h30, de um webinar para apresentar a obra. O evento virtual, que será transmitido pelo canal da VideoSaúde da Fiocruz no YouTube, contará também com a participação de Carlos Machado de Freitas, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) e coordenador do Observatório Covid-19 Fiocruz.

Os Impactos Sociais da Covid-19 no Brasil segue a ideia central da iniciativa encabeçada pelo Observatório: reunir o conjunto de respostas, pesquisas e ações técnicas produzidas pela Fiocruz durante a pandemia. “Analisar e intervir sobre os fenômenos decorrentes da circulação e transmissão não se resume a identificar o vírus, compreender sua disseminação e controlá-lo. A colocação em cena da Covid-19 em diferentes contextos, espaços e linguagens, especialmente em situações de extrema desigualdade sociossanitária, expõe a multiplicidade e especificidade do fenômeno pandêmico (…)”, afirmam os organizadores na apresentação do e-book. Dessa forma, a coletânea – que contempla 17 capítulos, divididos em três partes – viabiliza o acesso do público a um panorama de debates, ações e trabalhos que vêm sendo realizados – sob os mais diferentes prismas sociais – para o enfrentamento da crise humanitária.

O volume congrega pesquisadores e especialistas das mais diversas áreas, incluindo antropologia, bioética, história, medicina, comunicação, ciência política, psicologia, relações internacionais, políticas públicas, entre outras. São 68 autores no total, com contribuições diversificadas que se debruçam, com especial atenção, sobre as populações vulnerabilizadas do país diante da emergência global. “A gente busca oferecer algumas pistas para o leitor ter a possibilidade de compreender a pandemia para além do fenômeno infeccioso. Compreender as condições que fazem com que o coronavírus tenha impactos diferentes em contextos socioeconômicos distintos. Ou seja, os desafios postos em relevo pela pandemia não são apenas sanitários, mas são também socioeconômicos, políticos, culturais, éticos, científicos e são desafios muito agravados pelas diferentes desigualdades que temos no Brasil”, analisa Ester Paiva Souto.

Segundo Gustavo Matta, as contribuições e ações levantadas pela obra têm origem na preocupação com a atual crise humanitária que vivemos em função dos impactos sobre as populações mais vulneráveis do país. “Essas análises podem ajudar a construir estratégias que minimizem o impacto da Covid-19 entre essas populações”, afirma o pesquisador. Na parte que trata de narrativas sobre populações vulnerabilizadas, o livro se debruça em estratégias e ações oferecidas a grupos populacionais vulneráveis por processos de exclusão social no contexto da pandemia. São trabalhos que englobam pessoas vivendo em situação de rua, pessoas com transtorno mental, deficiência, população com HIV/Aids, LGBTI+, moradores de favelas e periferias, população indígena, quilombola, negra, ribeirinha, carcerária, migrantes, refugiados e apátridas, além de trabalhadores informais, crianças e adolescentes.

Jean Segata explica o objetivo do livro ao reunir o que ele chama de “um conjunto de trabalhos que colocasse em primeiro plano os conhecimentos e as experiências culturalmente localizadas, incluindo religiosidade, etnicidade e gênero”. Para o organizador, esses trabalhos ajudam a trazer à tona as injustiças sociais, mostrando as muitas desigualdades, as precarizações nas relações de trabalho e um conjunto mais amplo de efeitos que ajudam a entender a multiplicidade com a qual uma pandemia acaba se estabelecendo.

Para além das análises e reflexões, o e-book pode também contribuir para a tomada de decisões no enfrentamento à pandemia. De acordo com os organizadores, isso inclui não apenas as ações de gestores públicos, mas também ações individuais e coletivas que podem minimizar o impacto da Covid-19 entre os muitos grupos vulneráveis. “O livro traz exatamente informações que possam possibilitar a ação, não só de governos, de profissionais, mas essencialmente de cidadãos. A expectativa é que você exerça sua cidadania, se informe, leia, pense, reflita e veja de que forma podemos contribuir para mudar o jogo dessa resposta à pandemia”, destaca Sergio Rego.

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