Documentário Saúde! Velho Chico é lançado em Belo Horizonte

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Uma sessão especial, realizada no MIS Cine Santa Tereza, marcou o lançamento do documentário Saúde! Velho Chico, em Belo Horizonte, na última quarta-feira (19/12). Dirigido por Stella Oswaldo Cruz Penido, da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), e Eduardo Vilela Thielen, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), o filme documenta as mudanças ambientais sofridas pelo rio desde o início do século 20 até os dias de hoje. Ao todo, são 52 minutos de gravação, em que moradores de diversas cidades banhadas pelo São Francisco fazem relatos que ajudam a traçar o atual cenário do rio.

“Para nós, era questão de honra fazer esse lançamento em Belo Horizonte porque boa parte do documentário foi gravada em Minas. Ao longo do processo, que teve início em 2013, tivemos o apoio de pessoas maravilhosas e, portanto, essa é uma forma de agradecer a todos que contribuíram. E também é preciso dizer que este é um trabalho de amor ao Rio São Francisco”, destacou a diretora Stella Oswaldo Cruz, durante a abertura da sessão.

A rota percorrida pelos cientistas Adolpho Lutz e Astrogildo Machado, que no início do século passado realizaram uma série de expedições para investigar as condições de saúde da população, norteou o trabalho, indicando aos diretores do documentário o caminho que deveria ser trilhado. Eles se basearam em fotografias produzidas por Lutz e Machado, bem como em documentos com os relatos desses pesquisadores. Mas o protagonismo do filme coube às populações que dependem do São Francisco para a sobrevivência e, por isso, vêm o rio como extensão delas mesmas.

“Optamos por uma abordagem de saúde mais contemporânea. No total, foram 50 horas de gravação e foi bem difícil definir o que entrava e saía do filme. Fizemos a opção por focar nas narrativas dos moradores, de forma a pensar a saúde com relação ao ambiente em que as pessoas vivem”, ressaltou o diretor Eduardo Thielen.

Além dos moradores, o filme também traz depoimentos de representantes do projeto Manuelzão, ligado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e do pesquisador da Fiocruz Minas João Carlos Pinto Dias. Durante a sessão de lançamento, a diretora do IRR, Zélia Profeta, falou sobre a importância da obra e da satisfação de terminar 2018 com a conclusão de um trabalho desse porte.

“Trata-se de uma revisitação dos caminhos percorridos por Adolpho Lutz e Astrogildo Machado, há mais de 100 anos. Para nós, é uma grande honra ter apoiado esse trabalho e poder assistir a essa apresentação, neste que foi um ano difícil incluindo as incertezas que períodos eleitorais trazem. Por tudo isso, é também extremamente simbólico encerrar o ano aqui neste espaço escolhido para a apresentação, que é o Cine Santa Tereza, símbolo de resistência à mercantilização que atingiu a linguagem cinematográfica na década de 1990. Essa apresentação aqui é, portanto, de um simbolismo que nos dá ânimo para resistir e avançar”, destacou.

A sessão contou com a presença de trabalhadores do IRR, da UFMG, e também de representantes das comunidades visitadas. Uma das presentes foi Irmã Neuza, da Divina Providência, do município de Cana Brava, que acompanha as comunidades em conflito.

“Queremos agradecer pelo documentário porque ajuda a reforçar a luta do nosso povo. Esse povo se mistura com o rio, e o rio se mistura com eles”, afirmou.

O documentário tem o Selo Fiocruz Vídeo e conta com legendas em português, espanhol e inglês. A obra foi realizada com recursos captados pela Lei de Incentivo ao Audiovisual, por intermédio do Ministério da Cultura. Saúde! Velho Chico é realizado pela COC/Fiocruz, Icict/Fiocruz e pelo Instituto René Rachou (Fiocruz Minas).