CPqRR promove semin√°rio sobre febre amarela

Deise Aparecida dos Santos (6)

A palavra de nossos especialistas: o essencial sobre febre amarela foi o tema de um semin√°rio realizado na Fiocruz Minas na √ļltima sexta-feira (24/2). O evento reuniu trabalhadores e estudantes do CPqRR, al√©m de profissionais que atuam em empresas e institui√ß√Ķes localizadas no entorno da unidade. Durante toda a manh√£, pesquisadores do CPqRR com atua√ß√£o em estudos relacionados √† doen√ßa abordaram uma s√©rie de aspectos relevantes para a compreens√£o do surto. Tamb√©m esteve presente a superintendente de Vigil√Ęncia Epidemiol√≥gica, Ambiental e Sa√ļde do Trabalhador do Estado de MG, Deise Aparecida dos Santos, que apresentou dados epidemiol√≥gicos e tra√ßou um panorama da situa√ß√£o da doen√ßa no Estado.

‚ÄúA ideia deste semin√°rio √© promovermos um momento de atualiza√ß√Ķes acerca da doen√ßa e do surto, permitindo-nos aprofundar nossa compreens√£o em rela√ß√£o ao que est√° acontecendo. Al√©m disso, convidamos a comunidade do entorno porque acreditamos que, em momentos como este, manter a popula√ß√£o bem informada √© fundamental para superarmos os problemas‚ÄĚ, destacou o vice-diretor de pesquisas do CPqRR, Carlos Eduardo Calzavara.

Durante a apresenta√ß√£o, a superintendente de Vigil√Ęncia Epidemiol√≥gica, Ambiental e Sa√ļde do Trabalhador do Estado de MG mostrou que, nos munic√≠pios onde j√° foram notificados casos da doen√ßa, a cobertura vacinal √© muito baixa. Dessa forma, uma das a√ß√Ķes adotadas pela Secretaria de Estado de Sa√ļde do Estado foi providenciar a vacina√ß√£o em massa.

‚ÄúTemos, at√© o momento, registros de casos em 83 munic√≠pios situados em regi√Ķes onde a taxa de imuniza√ß√£o √© baix√≠ssima. Na verdade, de forma geral, o Estado tem, em m√©dia, 47% de cobertura, o que √© um n√ļmero muito baixa. Foi por isso que uma das primeiras medidas adotadas foi a busca ativa, com profissionais de sa√ļde indo a regi√Ķes mais afastadas para vacinar as pessoas‚ÄĚ, explicou.

De acordo com a superintendente, apenas entre as crianças com idade entre 1 e 9 anos as taxas de imunização são positivas, sendo superiores a 100%. Segundo ela, isso mostra que a vacina é, de fato, eficiente, uma vez que, até o momento, todos os casos ocorreram em adultos.

‚ÄúA faixa et√°ria com maior n√ļmero de registros situa-se entre 50 e 59 anos. J√° a taxa de letalidade, em todas as faixas, chega a 35,5%, indicando que a doen√ßa √© realmente muito s√©ria‚ÄĚ, salientou.

Vírus e características- O pesquisador Pedro Augusto Alves, do Grupo de Imunologia de Doenças Virais, falou sobre as principais características do vírus causador da febre amarela. Segundo ele, trata-se de um arbovírus do gênero flavivírus, que abrange 70 tipos diferentes vírus, entre eles os causadores da dengue, zika, chicungunya,febres hemorrágicas, encefalites e várias outras doenças.

‚Äú Por serem do mesmo g√™nero, s√£o v√≠rus com caracter√≠sticas semelhantes e, dessa forma, os sintomas da febre amarela s√£o tamb√©m parecidos com os das demais doen√ßas causadas por flavivirus. Os principais sinais s√£o dores articulares e atr√°s dos olhos, n√°useas, v√īmitos e manchas avermelhadas pelo corpo‚ÄĚ, afirmou.

O pesquisador explicou que, nas matas, a doen√ßa ‚Äďem sua forma silvestre- √© transmitida por mosquitos do g√™nero Haemagogus. Ao picar o macaco, o mesmo adoece e torna-se uma fonte de transmiss√£o do v√≠rus para outros mosquitos que, infectados, podem picar o homem que entra em contato com a √°rea de transmiss√£o. J√° na cidade, a doen√ßa √© transmitida pelo Aedes aegypti. Segundo ele, desde 1942, o Brasil n√£o registra casos de febre amarela urbana.

Pedro ressaltou que a √°rea de circula√ß√£o do v√≠rus da febre amarela, considerada de risco transmiss√£o para seres humanos, vem crescendo de forma progressiva desde 2000. ‚ÄúO processo de desmatamento com consequente desequil√≠brio ambiental, aliado ao aumento do ecoturismo e da constru√ß√£o de moradias em √°reas pr√≥ximas a matas, tem contribu√≠do para isso, com registros de surtos a cada cerca de 7 anos‚ÄĚ, ressaltou.

A doen√ßa- A a√ß√£o da febre amarela no organismo humano foi tema da palestra do m√©dico infectologista Marcelo Pascoal, do Grupo de Pesquisas Cl√≠nica e Pol√≠ticas P√ļblicas em Doen√ßas Infecciosas e Parasit√°rias. Ele afirmou que o f√≠gado √© um dos √≥rg√£os afetados que mais contribuem para o agravamento da doen√ßa. ‚ÄúA dissemina√ß√£o do v√≠rus dentro do f√≠gado √© muito r√°pida. Ao atingir o √≥rg√£o, ocorre uma degenera√ß√£o das c√©lulas vivas que tentam responder √†s agress√Ķes‚ÄĚ, explicou.

Além do fígado, também são acometidos o coração, os vasos e o rim. De acordo com o médico, o paciente deixa de fabricar bilirrubina, ficando com a cor amarelada, sendo esse um dos fatores que dão nome à doença.

‚Äú √Č, sem d√ļvida, uma doen√ßa grave que, embora n√£o tenha tratamento espec√≠fico, deve ser rapidamente diagnosticada. A descentraliza√ß√£o no atendimento e o refor√ßa da infraestrutura dispon√≠vel s√£o os principais desafios no enfrentamento da doen√ßa‚ÄĚ, avaliou.

Preven√ß√£o- Em todas as apresenta√ß√Ķes, os palestrantes destacaram que a vacina √© a principal forma de se proteger contra doen√ßa. O pesquisador Olindo Assis Martins Filho, do Grupo Integrado de Pesquisas em Biomarcadores, lembrou que a vacina est√° dispon√≠vel gratuitamente nos postos de sa√ļde, durante todo o ano. Ele destacou que a vacina contra a febre amarela √© extremamente segura, sendo o Instituto Bio-Manguinhos (Fiocruz/RJ) um dos principais fabricantes.

‚Äú√Č uma das vacinas mais eficientes do mundo. Em termos de eventos adversos, temos 1 a cada 400 mil doses aplicadas. E o Brasil √© um dos principais fornecedores e, portanto, n√£o h√° o menor risco de falta de vacina. Temos capacidade de vacinar a popula√ß√£o do pa√≠s inteiro, se necess√°rio‚ÄĚ, afirmou.

De acordo com o pesquisador, para os residentes em área de risco, recomenda-se, para crianças, a administração de uma dose aos 9 meses de idade e um reforço aos 4 anos. Para pessoas a partir de 5 anos de idade que receberam uma dose da vacina, é necessário um reforço; para quem que nunca foi vacinado ou não possui comprovante de vacinação, é preciso administrar a primeira dose da vacina e um reforço após 10 anos. Pessoas que já receberam duas doses da vacina ao longo da vida já são consideradas protegidas.

‚Äú As pessoas que forem viajar para regi√Ķes end√™micas devem se vacinar pelo menos 10 dias antes do deslocamento. Al√©m disso, √© importante lembrar que a vacina contra a febre amarela n√£o deve ser aplicada no mesmo dia que outras vacinas, como Tetravalente e Tr√≠plice Viral‚ÄĚ, destacou.