Valéria Lima Falcão

ValeriaFalcao

 

Lima Falcão, esse sobrenome faz parte da história do Instituto René Rachou. Os pesquisadores, Alda Lima Falcão e Alberto Falcão, desenvolveram, na instituição, relevantes investigações no campo da entomologia. Mas a família não parou por aí, a filha dos cientistas, Valéria Lima Falcão, também trabalhou no IRR, marcando presença na área administrativa e de recursos humanos.

Nascida em Fortaleza, mas criada em Belo Horizonte, Valéria possui sólida formação. Graduada em Comunicação Social, com ênfase em Relações Públicas pelo Instituto Newton Paiva, também realizou Pós-Graduação em Planejamento de Gestão de Recursos Humanos, na UFMG; Gestão de Qualidade na Fundação Christiano Ottoni e Mestrado em Gestão de Ciência e Tecnologia e Inovação na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP). Com tantos atributos ela foi a pessoa ideal para implantar uma série de reformas modernizadoras na organização do IRR.

Valéria teve sua primeira passagem pela Fiocruz Minas como estagiária da área biológica, quando era estudante do Colégio Técnico, na companhia dos pesquisadores Rosa Maria Brígido, Zigman Brener e Antoniana Krettli. No ano de 1978, Valéria passou em dois concursos públicos, na UFMG e no IRR. Porém, optou por ingressar como técnica de laboratório da Escola de Veterinária, sendo, em seguida, remanejada para a área de gestão. Ali Valéria galgou diversas posições, assumindo a chefia da seção de pessoal da Escola e atuando em diversos projetos com a reitoria. Convidada a trabalhar na área de Recursos Humanos da Fundação Christiano Ottoni, Valéria deixou a UFMG, em definitivo, no ano de 1994, passando a atuar no setor privado. Trabalhou em diversas organizações, implantando a ideia de que a formação de pessoal é fundamental, devendo ser incentivada pelas empresas.

Tendo em vista a necessidade de conciliar vida pessoal e trabalho, Valéria decidiu retornar para o serviço público. Realizou concurso na Fiocruz, na área de Desenvolvimento Humano e ingressou no IRR em agosto de 1998. Sua tarefa era tornar o RH do Instituto René Rachou mais independente da sede, no Rio de Janeiro, e implantar uma série de mudanças no modo da instituição lidar com os funcionários. Tendo recebido a confiança da direção, Valéria entrevistou e traçou o perfil dos trabalhadores, identificou as demandas e implantou plano de gestão de RH. Uma de suas grandes realizações foi incentivar a formação dos funcionários que não tinham as atribuições necessárias para os cargos ocupados, com oferta de supletivos de primeiro e segundo grau, por meio do Telecurso da Rede Globo, com suporte da Faculdade de Educação da UFMG.

Outra frente de atividade de Valéria foi valorizar os funcionários técnicos da instituição, historicamente apagados. No projeto por ela criado, esses trabalhadores visitavam os diversos setores, explicando suas atribuições, de forma que foi criada uma consciência do valor de cada qual no processo de construção do conhecimento. Os funcionários da gestão também foram requalificados, com cursos de atualização e melhores condições de trabalho, o organograma institucional passou por uma forte modernização, além da implementação de um plano de qualidade no IRR. Em todo esse processo Valéria encontrou alguma resistência, principalmente no processo de valorizar o funcionalismo para além dos pesquisadores, mas também muito reconhecimento pelo seu trabalho.

Tendo em vista o sucesso de suas atividades, Valéria foi convidada a colaborar com a formulação de uma política de RH para a Fiocruz, passando a trabalhar no Rio de Janeiro por 4 anos, mas sem perder o vínculo funcional com o IRR. Em seguida, com o pesquisador Roberto Sena Rocha assumindo a direção da Fiocruz Amazonas, Valéria foi convidada a estruturar o RH daquela regional, permanecendo ali por 6 anos. De volta ao IRR, ela passou um breve período no setor do RH, para então trabalhar com a pesquisadora Virgínia Schall, no Laboratório de Educação em Saúde.

Em 2017, diante da sua longa trajetória na Fiocruz, em variadas unidades e setores, Valéria considerou que seus propósitos na instituição foram cumpridos, decidindo pela aposentadoria. Toda a brilhante carreira de Valéria foi dedicada a promover o potencial das pessoas. Não é de se estranhar, portanto, que sua lembrança mais cara no IRR tenha sido o dia da formatura dos trabalhadores da instituição nos cursos supletivos, motivo de grande alegria e emoção para ela.

Valéria Lima Falcão cresceu com todos os desafios assumidos na Fiocruz, mas sua missão foi a de nunca crescer sozinha, promovendo um ambiente organizacional ético e com oportunidade para todos, guiada pela certeza de que o maior patrimônio de qualquer instituição são seus funcionários.

 

Texto: Natascha Ostos e Cláudia Gersen

Apoio:

– Direção IRR

– Projeto Fiocruz Minas, patrimônio do Brasil: História, memória, ciência e comunidade

Agradecimentos: À Valéria Lima Falcão, pela entrevista concedida no dia 16/12/2022.